“Meu corpo não é a sua folia”: Promotora Dulcerita Alves reforça campanha contra a importunação sexual durante o Carnaval

Por Priscilla Maciel do IntrometidasPB
Com a chegada do período carnavalesco, a alegria dos blocos e a magia das fantasias vêm acompanhadas de um alerta necessário: a folia não pode ser desculpa para desrespeito. Em entrevista exclusiva concedida ao Canal IntrometidasPB, a promotora de Justiça Dulcerita Alves, coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Promotorias da Violência Contra Mulher (CAO), detalhou os objetivos da campanha “Meu corpo não é a sua folia”, que volta às ruas este ano com força total.
“Folia combina com consentimento”
Dulcerita Alves é enfática: “O Carnaval é um espaço de liberdade, expressão e afeto. Mas liberdade não é sinônimo de invasão. Beijos à força, toques íntimos sem autorização, encurralamento em blocos e gravações não consentidas são crimes — e não ‘cantada’ ou ‘paquera’.”
A campanha, que nasceu há oito anos como resposta ao aumento de denúncias de importunação sexual em festas populares.
O que diz a lei
A promotora lembra que a importunação sexual (art. 215-A do Código Penal) prevê pena de 1 a 5 anos de reclusão. “Muitos ainda acham que ‘passar a mão’ no meio da multidão é algo banal. Não é. É crime e será tratado como tal. O fato de estarmos fantasiados ou em clima festivo não suspende o direito de cada pessoa à integridade física e à dignidade sexual.”
Cooperação entre os órgãos públicos
A campanha reúne representantes de instituições estratégicas da rede de proteção à mulher, como a secretária das Mulheres e da Diversidade Humana, Lídia Moura; a juíza Graziela Queiroga, coordenadora da Mulher do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB); o coronel Lamarck, da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social; Luiza Dantas, secretária municipal de Mulheres de Baía da Traição; a delegada-geral adjunta Cassandra Duarte; a delegada Sileide Albuquerque, coordenadora das Delegacias de Mulheres da Polícia Civil; a promotora Dulcerita Alves; a representante do Programa Antes que Aconteça, Roberta Montenegro; a capitã Vivicleia, do Corpo de Bombeiros Militar; Fernanda Albuquerque, vice-coordenadora da Fundação Casa de José Américo; e Cely Andrade, representando o Movimento de Mulheres.
“Queremos que o folião entenda: você pode pular, cantar, se divertir. Mas o corpo do outro não é brinquedo, não é paisagem, não é sua fantasia. Meu corpo não é a sua folia”, conclui a promotora.
O lançamento da campanha aconteceu no último dia 02 de fevereiro. Na ocasião a Secretária da Mulher do Governo do Estado destacou:
“Temos visto um engajamento crescente das prefeituras do interior, que reproduzem a campanha durante as festas locais. Assim, vamos construindo uma cultura de respeito, deixando claro que, em uma festa ou em qualquer outro espaço, a mulher não deve ser importunada.”
Em 2026, a campanha “Meu Corpo Não é Sua Folia” prevê a distribuição de materiais educativos, como leques e adesivos, com os principais números de denúncia e emergência dos órgãos de segurança pública. As ações preventivas acontecerão durante as prévias carnavalescas e ao longo do Carnaval, em diversas cidades da Paraíba, com o apoio da Coordenadoria das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam).
Serviço
Em caso de importunação sexual durante o Carnaval, procure um posto policial ou ligue para o 180- Centro de Atendimento à Mulher (orientações e denúncias).



