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BRICS traça rotas; Estados Unidos impõem tarifas

O que está em jogo?

*Por Laryssa Almeida

Nesta semana, participei de uma importante audiência pública conjunta na Câmara dos Deputados, que reuniu as Comissões de Fiscalização Financeira e Controle, Viação e Transportes, e Integração Nacional e Desenvolvimento Regional.

A sessão foi aberta pelo deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA) e conduzida na segunda parte pelo deputado Fernando Marangoni (União-SP). O encontro teve como destaque a presença da Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, que apresentou os avanços das Rotas de Integração Sul-Americana como eixo de uma nova política nacional de infraestrutura e desenvolvimento regional.

O projeto prevê cinco rotas principais que conectam o Brasil aos países vizinhos por corredores logísticos multimodais, integrando rodovias, ferrovias, hidrovias, infovias, portos e aeroportos. Essas rotas já contam com 190 obras incluídas no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com um orçamento de R$60 bilhões, além de uma carteira de financiamento internacional de US$10 bilhões, conforme anunciado pela ministra.

As rotas são:

Slide apresentado pela Ministra Simone Tebet na sua apresentação na Câmara dos Deputados, na última quarta-feira, 09 de julho.

As rotas bioceânicas têm papel estratégico na conexão entre o Atlântico e o Pacífico. Elas podem reduzir em até três semanas o tempo de transporte de cargas brasileiras até a Ásia, diminuindo custos logísticos e ampliando a competitividade dos nossos produtos, como pode ser rapidamente percebido na imagem abaixo apresentada pela Ministra Simone Tebet em sua apresentação na Câmara dos Deputados:

Slide apresentado pela Ministra Simone Tebet em sua apresentação na Câmara dos Deputados, na última quarta-feira, 09 de julho.

Já no encontro do BRICS, realizado nesta semana no Rio de Janeiro, o Ministério dos Transportes, liderado por Renan Filho (Senador pelo partido MDB/AL), assinou um memorando de intenção com o governo chinês para produção de estudo de viabilidade técnica e ambiental para uma nova rota bioceânica entre Ilhéus (BA) e o Porto de Chancay, no Peru, com apoio logístico da China.

Esse cenário reforça a urgência de rotas alternativas e acordos regionais para diversificar mercados, reduzir a dependência de grandes potências, fortalecer alianças com países vizinhos e com a Ásia, bem como, proteger setores estratégicos da nossa economia.

Essa movimentação se torna ainda mais estratégica diante da recente imposição, pelos Estados Unidos, de tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, afetando diretamente setores de siderurgia e metalurgia (aço e alumínio), agropecuária (soja, milho, carne, etanol), petróleo e derivados, máquinas, equipamentos e produtos químicos.

O tarifaço tem claro conteúdo político. Ele tenta penalizar o Brasil por sua postura independente no cenário internacional e por manter o funcionamento firme das suas instituições democráticas, em especial o Supremo Tribunal Federal, que segue cumprindo seu papel na apuração e responsabilização de todos os envolvidos na tentativa de golpe em 08 de janeiro de 2023.

A esse respeito, a ministra Simone Tebet fez uma fala que traduz o espírito que deve orientar o país nesse momento:

“Não se constrói uma nação com ódio. O que nos une é infinitamente maior do que o que nos separa, ideologicamente falando. E é para isso que fazemos política.”

A frase sintetiza o que está em jogo. Enquanto algumas nações recorrem à guerra e à dominação econômica, o Brasil aposta na construção coletiva, no diálogo institucional e no fortalecimento da democracia. Aqui, não toleramos tentativas de golpe, e não aceitaremos pressões externas que interfiram em nossas decisões soberanas.

As Rotas de Integração Sul-Americana não são apenas projetos de engenharia, são símbolos da autonomia brasileira, da capacidade de planejar com visão de futuro e de construir uma América do Sul mais integrada, forte e democrática.

*Laryssa Almeida é jornalista, advogada, mestre em Direito Econômico pela UFPB, doutoranda em Ciências Sociais pela Universidade de Salamanca na Espanha. Ex-Secretária de Ciência Tecnologia e Inovação e de Desenvolvimento Econômico do Município de Campina Grande. Atualmente. Laryssa é Assessora Especial da CINEP.

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