Delegado se recusa receber dinheiro do tráfico via Pix com receio de ser rastreado
Braz Morroni receberia 60 mil reais, conforme investigação no âmbito da Operação Perfídus

Em um novo áudio que o G1 teve acesso, a Polícia Civil dá conta de um suposto esquema para que o delegado Braz Morroni (foto) recebesse dinheiro do tráfico de drogas, sem deixar rastros bancários. O agente conhecido como “Bomba” conversa com um homem identificado como Shelby, cujo nome verdadeiro é Isaque Pontes Costa, conforme investigações, solicitando o envio de 60 mil reais para a conta da construtora ligada ao agente Eduardo Jorge, o “Mão Branca“.
A investigação apurou que o valor seria sacado e entregue em dinheiro ao delegado, que teria recusado receber a quantia por Pix a pretexto de não ser rastreado. A questão faria referência a valores relacionados ao desvio de uma carga de 57 quilos de drogas apreendidas no ano de 2025.
Braz Morroni está preso desde a Operação Perfídus, que investiga suspeitas de tráfico de drogas, corrupção, vazamento de informações sigilosas e participação de agentes públicos em uma organização criminosa.
Siga com a leitura da transcrição do áudio:
“Jovem, Macebo, os 60 eu faço para esse CNPJ aí. É a construtora de Mão Branca. O delegado quer receber a parte dele in cash, e eu disse: ‘Meu filho, se eu estou recebendo por Pix, eu vou fazer Pix. Eu não vou sacar dinheiro porra nenhuma, não’.
Aí ele falou: ‘Então transfere para o 35 lá, que ele saca comigo’. Pronto. Então ele mandou 45. Dos 45 que ele mandou, 35 eu já vou deixar na conta e vou transferir os 10 para Mão Branca agora.
E os 60 que faltam vir, eu vou pedir para ele transferir para a construtora de Mão Branca. Aí Mão Branca se vira com você para sacar esse dinheiro. Eu não vou atrás de banco, não.”




